Ironman Fortaleza – Race Report

Henrique Ebert Ironman Fortaleza

Valeu pela foto pessoal da trisport magazine

O diário acabou, mas eu devo um Race Report a todos que enchi o saco nos últimos dois meses.

Competir em Fortaleza foi quase competir em casa. Digo isso pois morei na Terrinha em boa parte da minha infância. Não voltei muitas vezes para lá desde que voltei para Brasília, mas, as lembranças daquela cidade ainda estavam na minha memória.

Logo no início do pedal (ali por volta do 8km) passamos perto do parque do Cocó, que é bem perto de onde eu morava. Na hora lembrei de meu pai me levando para correr com ele. Os nomes nas placas na CE-040 eram das praias que meus pais nos levavam nos passeios de bugue nos finais de semana, Morro Branco, Prainha, Barro Preto, Aquiraz… A corrida, que passava por Iracema e Beira Mar, também trouxe boas lembranças. Espere, tem um porquê de eu estar falando isso.

Natação

Sabia que estava bem treinado para essa modalidade. Afinal, muitas vezes treinei (sofri) com o Henrique Siqueira. Então, estava tranquilo. Larguei bem e evitei contatos. Quando vi estava no primeiro grupo e pensei, essa natação vai ser fá… No meio do pensamento veio uma onda muito grande. Logo vi que não era o que pensava. O mar estava muito grande. Foi difícil de navegar. Como estava em uma esteira, por lá fiquei. Quase como um carrapato.

Da primeira para a segunda boia (da escuna para a boia) continuei com a dificuldade para me encontrar. Tentei mirar em duas torres (que durante a natação apelidei de Torres Gêmeas) para me ajudar a orientar. Ajudou, mas não muito. As ondas estavam ocupando todo meu campo de visão. A vantagem é que peguei muito jacaré.

Na última perna, as ondas nos levaram muito para a direita, em direção as pedras. Nem vi para quanto nadei, nem sabia como estava na prova. Só sei que ao final deu 57:32! Muito bom!!!

T1 3’04’’

Ciclismo.

Comecei com muito cuidado para não cair. Tinham muitas curvas fechadas com areia nelas. Adotei uma estratégia bem conservadora na bike para ter energia para correr.

Vinha no meu ritmo. Sempre que alguém passava por fingia que nem tava vendo, para não entrar na fissura de querer ir no ritmo dele/dela. Não sair como um cachorro atrás da roda do carro foi um dos meus acertos.

Não sei o que aconteceu, mas, incrivelmente, pedalei melhor do que em qualquer treino. Além disso, me senti muito confortável na posição aero. Saí dela pouquíssimas vezes, geralmente nos postos de hidratação – a cada 10km. Em um dos momentos mais difíceis do pedal olhei para o lado e vi as dunas (dava para vê-las em alguns pontos) e as lembranças dos passeios de bugue de que falei no início do treino me distraíram da dor que sentia naquele momento (não lembro direito que quilometro era, mas era na segunda volta. Estava com uma dor no pé esquerdo). Pouco tempo depois a dor cessou e voltei a me concentrar no que devia: fazer força!

Não sei se a propaganda foi maior do que o ofertado ou se minha preparação mental foi muito bem feita. Só sei que o vento (apesar de forte) não foi tão forte quanto esperava. O mesmo digo para o calor. Se bem que na bike a camisa (Orca tri top 226 com manga) que usei tenha me ajudado.

O final do ciclismo, já dentro de Fortaleza foi um pouco estressante. Muitos engarrafamentos e com o pessoal bem estressado. Na abolição tive de gritar algumas vezes para não atropelar ninguém.

Tinha uma quantidade razoável de gente assistindo a prova no meio do percurso da bike. Muito bacana.

Tempo de ciclismo? 5:13:00!! Sete minutos melhor do que planejei. Ótimo!

T2 3’41’’

Corrida

Essa foi a parte mais dura da prova. O vento me atrapalhou mais aqui do que em qualquer parte do ciclismo. Aqui também senti muito calor. Mas, ainda assim, nada do que imaginava. Eram 3 voltas de 14 km, cada uma era basicamente uma ida e volta. A ida com vento contra e a volta com ele a favor.

Boa parte da ida era um falso plano subindo, ou seja, não dava para imprimir um ritmo mais forte. Na volta, como você já tinha forçado na ida, não tinha toda essa energia para forçar, fora que o calor ficava maior.

Pra mim, essa parte da prova tinha duas partes críticas: o espigão e o Marina Park. O Espigão te “tirava” do percurso – você ia e na volta tinha que fazer o espigão. Além disso, era um local mais estreito, com uns bancos no meio. Na primeira volta não tinha muita gente e isso não foi um problema. Nas outras duas, com mais gente correndo, atrapalhou um pouco. Já o Marina Park era crítico por conta do piso, de paralelepípedo.

Corri bem e o tempo inteiro. Logo no início da corrida encontrei com a Pri (minha mulher). Ela me disse que eu estava bem na prova e isso me deu um bom ânimo. Segurei bem o passo no início da corrida para poder forçar depois. Vinha dando certo, até o retorno na peixaria (na última volta), hora que minhas bolhas estouraram. Aí ficou difícil. Essa dor não passou. Ela ficou comigo até o fim (na verdade até agora). No final da beira mar, lembrei de uma vez que meus pais me levaram para andar de bicicleta por lá (não lembro direito, mas acho era difícil eles fazerem isso), o que me deu mais um gás para o final.

Ainda passei por dois apertos nessa parte da prova. Em uma curva acertei o alambrado com o Garmin, que soltou do pulso (isso foi ruim, pois perdi minha referência). Logo depois disso, acertei o pé do alambrado ao tentar fugir dos paralelepípedos. A Rayana Lima me gritou na hora e eu quase a xinguei, tadinha. Me deu força o tempo inteiro. Ela, o Dênis Martins, a Lana, o José Roberto Brasil (grande amigo e atleta, agora com assessoria em Fortaleza). Na verdade a torcida por mim estava grande. Muito obrigado a todos! Dava para sentir toda a energia.

Tempo da maratona? 3:37:32. Foram sete minutos a mais do que planejei, só que as dores não me permitiram fazer mais força. Mas quer saber? Não me importo! Me diverti! Dei o meu melhor. Vibrei. Chorei e ri. Acabei com os monstros da minha cabeça. Voltei a ser um IRONMAN! Tudo isso em um lugar muito especial para mim.

Os treinos e a estratégia de prova que o Henrique Siqueira traçou para mim funcionaram, assim como o plano nutricional elaborado pela Diana Martincowski. Essa prova foram vocês que fizeram!

Resultado do dia: 32º geral, 3º na categoria 25-29 e vaga para Kona!!!! Uhuuuuuuu Caramba!!!

Muito obrigado a todos! De verdade!

A todos que fizeram a prova de domingo, meus parabéns!  Em especial para o Fernado Carvalho que foi um guerreiro- mesmo caindo no início da prova e tendo um pneu furado ele terminou bem a prova. Ao Bruno Santos e o Fábio Morais, que mandaram super bem no primeiro Ironman. Ao Tatá, e ao Elano que conseguiram a vaga para o Hawaii. Ao Gustavo Fleury que voou na bike e na corrida, conseguindo a segunda colocação no geral amador e 14º geral

Agora deixa eu voltar para o trabalho que vou ter uma viagem cara para fazer ano que vem heheheheheh

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17 comentários sobre “Ironman Fortaleza – Race Report

  1. hahahahahaha mto bom Uruca! Parabéns pelo relato e pela prova. Só quem faz uma prova dessa sabe como é, e um dia eu irei fazer 😀 Agora aproveite o seu merecido descanso. YOU ARE AN IRONMAN!!!

    • Valeuuuuu Gil!
      Agora eu vou confessar! Achei que tu ia chegar em mim na corrida kkkkk
      Tu tava com a cara muito boa!!!!
      Parabéns mlk! Foi guerreiro o tempo todo!
      Abração! Agora vai descansar! 😉

  2. Boa uruquinha. Fez tudo certo. Talvez essas páginas que vc escreveu fossem diferentes se tivesse terminado Florianópolis. Quem é que sabe a vontade Dele? E é Ele que me consola hoje porque depois de ter dado tudo certoem Florianópolis eu não consegui ir para Fortaleza. E sem menosprezar a prova e adversários, eu tinha total condições de pegar a vaga pra Kona aí e ir com você. Grande abraço moleque

    • Faaaaaaala Doc!!
      Valeu pela força!!!!
      Vou te dizer uma coisa, tudo é vontade Dele! Ele sabe o que faz.
      Se eu tivesse terminado o Iron de Floripa eu não teria feito a prova de domingo. Certeza.
      E não, você não está menosprezando os outros atletas, você tinha condições sim de conseguir uma vaga para Kona. Mas Floripa tá aí!
      Abração Doc!!! To na torcida!

  3. Sensacional, Henrique! A vaga em Kona foi a cereja do bolo, by the way, continue com o blog, tem sido uma grata surpresa ver a sua desenvoltura também nos teclados! Abs

  4. Meu ídolo te acompanhei pela internet, vc é monstro, vamos ficar sem Diario do Ironman cara de Pau, mas espero que logo vc volte com o diário do “Rei de KONA”….é muito bom ter uma amigo que anda tão forte e passa toda essa experiência para os “pau de rato”, que como eu aproveitam quase o tempo todo de prova! Vendo seus relatos dos treino sei perfeitamente o “porque ” da diferença que nos separa, além do seu TALENTO natural….obrigado por compartilhar esses momentos com a gente! PARABÉNS IDOLO, Parabéns Uruca!

    • Guilhermãããããõoooo!!!!
      Meu amigo, valeu pela força que tu me dá!
      O diário acabou, mas o blog não. Rei de Kona? hehehe vou pensar num nome mais adequado à minha performance. Bobo de Kona? 😛

      Abração do seu fã Henrique 😉

  5. Show!!! Mais uma vez parabéns pela prova!!
    Havaiano pela 3ª vez, né? Já perdi as contas!!! rsrsrsrs
    Agora é descansar… e que venha a temporada 2015!! Uhuuuuuuuuu

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