Análise da Corrida de um dos melhores amadores na Big Island em 2014

thorironman

por: Fernando “Flecha” Sousa

O Dinamarques Gregers Christensen definiu um grande objetivo para 2014. Depois de terminar em oitavo na faixa etária de 25-29, no Campeonato Mundial de Ironman, no ano passado, ele queria ter o gostinho de chegar em primeiro lugar. Além de ter que trabalhar duro para atingir o seu melhor desempenho, Christensen possui muitos fatores que vão contra ele quando se trata da corrida em Kona. Com 1,83m de altura e 78 quilos, o Godzilla albino tem dificuldade de  lidar com o calor de Kona. Além disso, vivendo na Dinamarca significa que ele raramente treina em condições quentes e úmidas. Apesar de sua corrida em Kona não ter saído como planejado , ainda assim  Christensen foi capaz de correr para singelos  2:57hs, a segunda melhor corrida dentre todos os amadores no dia, colocando-o em quinto lugar na faixa de 25-29 anos. Aqui está um leve resumo de como ele se preparou e como o dia D se desenrolou.

Durante a temporada de 2014, Christensen teve uma abordagem diferente nos treinos de corrida. “Tenho apostado muito na velocidade e força (ou seja, intervalados, sessões de transição (bike/run) de alta intensidade e tiros em subida) e não tanto no volume esse ano”, disse Christensen. “Descobri que, a fim de simular os últimos  15 km da maratona durante os treinos eu preciso fazer mais intensidade ao invés de mais volume. Então, ao invés de fazer sessões de transição por muito tempo (15 a 20 km de corrida no final) eu prefiro fazer 8 – 10 km um pouco acima do limiar “Ele aplicou essa mesma filosofia para suas corridas longas. “Este ano ignorei os longões (27 – 30 km)  e substituiu-os com treinos mais curtos (18 – 24 km) e correr “muito mais rápido” (tipicamente um pouco acima do ritmo de prova).” Esses treinos foram feitos em percursos montanhosos para simular Kona. Christensen (assim como vários Europeus) treinam pelo pace na corrida, em vez de utilizar a  frequência cardíaca.

Para se adaptar ao calor e a umidade que enfrentaria no dia da corrida, Christensen fez o que muitos outros fazem. Ele criou uma Koninha dentro de casa. “Eu tinha que tentar simular as condições quentes e úmidas no turbo e na esteira, através do uso de algumas camadas extras de roupas que criou um inferno cheio de poças de suor!” (Mais ou menos como o Alejandro fica, só que na Dinamarca). 

Dia D

Apesar de sair da natação cinco minutos mais lento do que ele tinha planejado, Christensen não entrou em pânico. O que o preocupava era o seu estômago. “Eu não conseguia ingerir nada durante as primeiras 2 horas de pedal. Tudo que eu tentei ingerir, voltou – incluindo  o café da manhã! Eu nunca havia experimentado  problemas estomacais em um Ironman, esta foi a minha nona participação e era uma sensação nova para mim “, lembra Christensen. Seu plano inicial era permanecer entre 255-260 watts no início do pedal. No entanto, com o seu plano de nutrição esfacelado, ele  mudou para o Plano B. A partir de testes realizados durante sua preparação, ele sabia que seu corpo era eficiente na queima de gordura (abaixo do primeiro limiar) em torno de 230-240 watts e por isso permaneceu por lá. Durante as duas primeiras horas, vulgo Thor obteve a média de 237 watts. e pulverizou 1.704 calorias, nenhuma das quais tinha até o momento sido reabastecidas.

Finalmente seu estômago resolveu terminar com o chilique inicial e Christensen imediatamente começou a ingerir todos os fluidos e sal que podia consumir. Inteligentemente, ele permaneceu com seu plano B durante a bike. “Como eu estava muito aquém na minha estratégia nutricional, o mais importante era me alimentar bem e não me apavorar pelo tempo perdido na bike”, disse ele. As três horas finais foram mantidas com uma  média de 227 watts. Seu tempo final na moto foi de  5:02hs. Ao olhar para o seu arquivo de potência, seu intensity Factor® (IF®) foi 0,70. Isso significa que ele se manteve a 70% da potência do seu segundo limiar. Esta é o truque que poucos utilizam durante as competições, pois mostra que Christensen em nenhum momento sofreu durante o pedal. Os melhores profissionais são capazes de manter 0,78-0,82 do seu IF e ainda correr muito bem. O Age group tipicamente mantém o IF  em torno de 0,75 ou menos.

Tendo um histórico de duas maratonas na casa das 03hs no IRONMAN de Frankfurt, Christensen partiu com sangue nos olhos focando no pódio da sua categoria. “Na corrida, meu plano era começar” lento “(4.15min / km) e depois tentar afundar o pé um pouco mais (4:05 – 4: 10min / km),”, disse Christensen.

Se sentindo o próprio Deus do trovão no início da corrida, Thor estabeleceu seu plano pré-corrida de 4:15 min / km. Logo no entanto, o calor e a umidade se fizeram presente. “Minha energia era boa, mas a luz do radiador fervendo já estava ligada, então eu foquei em obter o máximo de gelo e muitas esponjas frias”, disse Christensen.

Na marca de 25km, Christensen fez a curva rumando ao Energy Lab, uma das partes mais difíceis do percurso. Em vez de desanimar, foi um ponto que lhe deu confiança pois nessa parte do percurso é possível ver de frente os atletas que estavam a sua frente, e eles aparentavam estar sofrendo muito mais do que ele. Durante esses 5km, o ritmo de Christensen permaneceu estável em 4:18 min/km.

Com 3km para chegar, a excitação se transformou em uma tentativa de tudo ou nada para chegar ao pódio quando a namorada de Christensen disse que ele estava em 5º lugar e muito próximo dos primeiros atletas da sua categoria. “Eu apenas fechei os olhos e pedi para meu Pai Odin me ajudar o máximo que podia”, lembrou Christensen. “Eu acho que ultrapassei 6-8 pessoas nos km finais, mas  eu não tinha ideia se eu realmente tinha alcançado o pódio (ele chegou na 5ª colocação). “Neste trecho final, Christensen manteve seu pace médio de 3:43 min/km para terminar a corrida com um  novo recorde pessoal de 2:57hs e o tempo final de 09:09:48.

Ao rever seu arquivo de corrida dois fatores são muito importantes. Primeiro é o ritmo constante de Christensen por toda a maratona. Outro é que seu foco de treinamento em intensidade sobre o volume definitivamente funcionou (não é porque funcionou com o grandão nórdico que irá necessariamente funcionar com você caro leitor). É notável que Christensen negativou sua maratona pois fica bem claro que seu Pace Normalizado (NGP) durante os primeiros 21km foi de 04:15min/km e a segunda metade da maratona, ele permaneceu com um Pace Normalizado de 04:12min/km. Considerando que a maioria das alterações de elevação ocorrem na segunda metade da maratona, essa foi uma corrida muito forte.

Pré prova Christensen tinha um plano muito bem organizado. No entanto, esse plano foi rapidamente alterado e Christensen teve que tomar algumas decisões rápidas. Inteligentemente, ele não entrou em pânico, botou o plano B em ação e esperou até que seu corpo pegasse no tranco. Sua decisão de ser mais cauteloso foi formidável, o que lhe permitiu executar tudo o que havia treinado.

Christensen já está pensando na próxima temporada. Ele estabeleceu dois grandes objetivos: ” Ganhar o IRONMAN Frankfurt (ele tem 3 pódios na categoria) e dar o troco no seu miguxo Maxwell (Maxwell Levi, o vencedor da categoria de 25-29 anos). Fiquem de olho em 2015. teremos uma bela guerra entre Thor(Christensen) e Loki (Maxwell). Obviamente Uruka estará de volta a Kona bagunçando toda essa briga.

FIGHT

Fonte: http://home.trainingpeaks.com/blog

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