OEM: minha opinião parte 2

Por Henrique Ebert

Originale e cópia

Há três anos escrevi esse texto sobre OEM. Como faz um ano e meio que não tocava esse blog, vi que tinham alguns comentários que mereciam resposta, uma vez que o pessoal perdeu seu tempo para nos questionar sobre o assunto. Fora que foram muito pertinentes.

Um produto OEM NÃO É UM PRODUTO FALSIFICADO!

Mais ou menos!

Vejamos.

Vender gato por lebre é uma prática tão nova quanto vender gato por lebre.

Não é de hoje que vendedores tentam agregar valor ao seu produto utilizando a fama do produto original. Por exemplo: um dos motivos da garrafa de Coca-Cola ter sua silhueta tão famosa é esse: pessoas vendiam seus refrigerantes de cola como sendo Coca-Cola.

Para inibir isso, o pessoal de Atlanta criou uma nova forma de garrafa, uma vez que essa é mais difícil de ser copiada do que um rótulo de papel.

Com o tempo, criam-se sinônimos de falsificação. Já chamaram de cópia (tenho uma tia que chama de falsificação legítima), réplica e, mais recentemente, de “OEM”. Então, tratamos aqui de dessa “OEM”.

A sigla OEM (sem aspas) significa Original Equipament Manufacturer (Fabricante Original do Equipamento) – quanta ironia.

Já a com aspas, “OEM”, significa “Orem Em Movimento”. Sim, rezem para essa coisa que você comprou sem procedência não quebrar enquanto você pedala. Se você for ateu…

Tá bom, não vamos ser tão dramáticos. Não necessariamente seu quadro irá quebrar. Mas e o desempenho? Ela terá a rigidez, o peso ou a aerodinâmica da original? The devil is on the details…

Essa prática (utilizar produtos OEM), como nos foi lembrada pelo leitor Sinésio é comum em TI. No nosso dia a dia temos ainda mais exemplos: as montadoras de automóvel compram peças OEM de diversos fornecedores. Muitas vezes Toyota, Honda, Ford, etc compartilham os mesmos componentes sem que você saiba. Geralmente são peças que nossos olhos não enxergam.

Esse recurso pode ser bom! A escala reduz os custos! Mas também pode ser péssimo. Procurem no Google Tanaka e Air bags para saber do que estou falando.

Só que eu nem precisava ir tão longe para citar exemplos. As marcas de bicicleta compram os grupos  (Shimano, Campagnolo, Sram, etc) utilizados em nossas bicicletas dessa forma. No entanto, vender uma bicicleta anunciando que ela vem com um Campagnolo Super Record agrega valor ao seu quadro, mesmo que seja de uma marca menos tradicional.

Até mesmo existem fornecedores OEM de quadros.  Demos o exemplo no post anterior. E esses quadros TAMBÉM são vendidos sem marca ou “unbranded” (no alibaba.com têm vários anúncios). No entanto, esses quadros foram desenhados pelo fabricante OEM e vendidos em lotes para quem quiser colocar sua marca neles (vejam o fim do post anterior para ver que o mesmo quadro recebe pinturas de marcas diferentes). Essas passam por testes, além de terem procedência​. 

O problema está quando querem vender gato por lebre. Quando disserem que é um Pinarello Dogma OEM (mesmo que sem marca). Fique mais atento. Veja se a marca tem alguma orientação quanto ao assunto. No exemplo deste parágrafo não se iluda: É FALSIFICAÇÃO.

Lembrem-se fabricar um quadro é um processo muito complexo. Diversos fatores devem ser levados em consideração: tipo de carbono, disposição da trama de carbono, temperatura da autoclave, formato do quadro e por aí vai.

Sim, nem sempre a marca é quem fabrica o próprio quadro. Também é verdade que a maior parte das bicicletas de carbono no mundo saem de uma meia dúzia de fábricas localizadas na China/Taiwan.

No entanto, existem contratos entre as fábricas e as marcas (que são donas dos projetos dos quadros) e esses protegem a propriedade intelectual das marcas. Um quadro vendido por fora pela fábrica (mesmo que sem marca) é ilegal e deve gerar uma baita dor de cabeça. Imagina vender vários quadros. Vai dar M….

Outra coisa que é importante: em 2014, quando escrevi esses quadros custavam uma fração de um quadro original. Hoje a diferença de preço caiu (acabei de ver uma Tarmac OEM por R$13.500,00). A da qualidade, suspeito que nem tanto.

Sei que bicicleta é um bem muito caro, mas vale a pena realizar uma pesquisa prévia quando for adquirir uma. Se você quer comprar uma falsificação para parecer legal, quem sou eu para te julgar? Ninguém! Não sou nada. Sou só um cara querendo que você fique atento ao assunto e que saiba que existem ainda mais riscos ao se comprar um produto sem procedência.

Resumindo.

Quando anunciarem uma bike de marca dizendo que é OEM – deve ser falsificação.

OEM – não é falsificação, mas podem utilizar essa sigla para agregar valor a um produto falsificado.

Anúncios

Um comentário sobre “OEM: minha opinião parte 2

  1. Cara, parabéns pela continuação desse assunto. Tem gente que acha que OEM é o mesmo que uma original, quando quebra, quer ir cobrar na fábrica original por que alguém colocou um decalque na bike.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s