Vendo “tudo preto”

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Por: Fernando Flecha

Tenho uma obsessividade pela perfeição. Mesmo tendo ciência de que ela é quase um folclore. (meu único momento de quase perfeição foi ensinar minha mãe sem que houvesse brigas a imprimir um arquivo em PDF) Tenho tentado repetir tal feito desde então sem êxito. Se o assunto for como atleta, aí ferrou. Gastei todas as minhas balas por um momento perfeito e mal sabia eu que nem sabia atirar ainda. (quando começo a colocar metáfora demais é pq estou meio perdido na introdução)

Enfim…. minha busca pela evolução como atleta passou muitos anos em torno de um assunto só. CORRIDA. Eu lia via sentia vivia corrida. Em busca da maior quantidade de informações possível para me tornar um melhor atleta e um melhor treinador. Foi quando vi que estava perdendo o foco focando demais em uma coisa só. Não percebia que outros assuntos poderiam e podem me fazer olhar e entender através de outro prisma. Um dos treinadores que mais admiro diz que aprendeu quase tudo sobre o que ele sabe sobre corrida em um livro de treinamento de natação. Imagino que não preciso falar mais nada.

Ontem li esse texto que traduzi e adaptei (deve ser crime pegar um texto e adaptar como faço mas é mais forte do que eu). Não entendo quase nada de Rúgbi mas entendo perfeitamente o nível que foi atingido pelos All Blacks e fico ainda mais admirado pela forma como foi alcançado. É muito mais do que apenas treinar e descansar. Felizmente treinar forte todo dia não vai te deixar forte. Treinar Sprints para prova de longa distância é muito bem-vindo sim por várias questões. Treinar um pouco de endurance ao invés de fazer HIIT ou SIT ou SHIT todo dia tbm é bem-vindo. Aprender com o esporte coletivo e utilizar no esporte individual. Melhorar o individual afim de tornar o coletivo ainda mais forte. (já não sei se estou falando de esporte ou da vida). Resumidamente olhar por outra perspectiva é uma frase pra lá de manjada e só fui dar bola para ela agora. VACILÃO

Enfim…um pouco da mentalidade All Blacks. Vc não precisa jogar Rúgbi para utilizá-la SACOU

Primeiro é escolher o jogador. Não necessariamente super talentoso mas com personalidade. Não  o mais forte ou o mais inteligente, mas, parafraseando Charles Darwin, aquele que melhor se adapte às dificuldades. “Um jogador que faz grande a equipe é melhor do que um grande jogador.” Os “vermes”, não entram. O provérbio árabe  é dito tantas vezes como que se diz bom dia: “Melhor mil inimigos fora da tenda do que um dentro da tenda.” Será menos difícil dessa forma jogar juntos e sincronizados, como um relógio suíço. Quando escolhido, o líder lhe faz apenas  duas  singelas perguntas: “O que você pode oferecer? O que você vai sacrificar?”. Líder que é líder cria mais líderes, não seguidores. Líderes falam, porque “com as palavras se iniciam as revoluções”. Mas em primeiro lugar, os líderes AGEM, porque “quando as ações falam, as palavras não são necessárias.” Líderes que, mesmo após a mais difícil das batalhas, e sob aplausos de milhares, ajudam a limpar o próprio vestiário. “Porque ninguém cuida dos All Blacks. Os All Blacks que cuidam de si mesmos”.

Como a equipe nacional de rugby da Nova Zelândia foi construída, entre os mais poderosos na história de todos os esportes, com 77,1%  de vitórias em 552 partidas jogadas em 113 anos e quase 90% de vitórias na era profissional? “A resposta para tudo isso, diz James Kerr, autor de” Legacy “- começa com a noção de que privilégios são o pior inimigo para o alto desempenho.” Aplica-se a todos os times de futebol seja da série A, B, C ou D. Existe na NBA, onde todo time possuí um superstar. Phil Jackson fala sobre como convenceu Michael Jordan sobre a necessidade de uma equipe em uníssono. “A força da manada é o lobo e a força do lobo é a manada.” Ele cita a necessidade de se ter um maestro. E não o melhor violinista. E no caso dos All Blacks o nome do maestro é Graham Henry.

Eu sempre vi de uma maneira muito amadora quem diz que o sucesso de uma equipe esportiva ou de um atleta vem de uma fórmula mágica. Kerr cita algo mais profundo em “Legacy”, seu livro sobre os All Blacks. Kerr fala, por exemplo de uma equipe que lembra mais de suas poucas derrotas do que das suas milhares de vitórias. Kerr também fala dos rituais criados por ele como por exemplo “a EXALTAÇÃO de um mito”. O mito do “SACRIFÍCIO”. “Aquele que  derramar o seu sangue comigo hoje – será  meu irmão.” “Você hoje vai jogar por aqueles que já vestiram essa camisa e vai levá-la a um patamar ainda mais alto.” Isso é o legado.

Rotinas incluem um “parlamento” após treinos e jogos, onde a equipe delibera sozinha sobre erros e acertos. E depois com o vídeo, deixa tudo em pratos limpos. Discussão sem apontar dedos e aumentar o tom de voz (isso sim é uma discussão) porque, muitas vezes, como Muhammad Ali disse, “não é a inclinação da montanha que não te deixa conquistá-la, mas sim a pedra em seu sapato.” E também porque, mesmo após conquistar a montanha, temos de evoluir novamente. Sempre aprendendo. Se cada jogador melhorar 5% ( o que no instagram pode não causar um aumento de seguidores), melhorar a porcentagem coletiva (pensando no conjunto e não no individual) que ajuda a definir um jogo onde conquistar polegadas, explica a diferença entre “ganhar ou perder”. Outra rotina deliciosa é o treinamento da quinta-feira sob pressão. “Trazer o cérebro a situações de stress e testar a capacidade de tomar decisões sob pressão.” Repetir até automatizar. “Se uma centopéia tivesse que pensar sobre a movimentação de suas pernas, ela provavelmente tropeçaria.”

Muitos acreditam que o objetivo principal do haka é  intimidar o adversário. Ou o bom e velho marketing. Mais os Galvões Buenos de plantão não sabem que para a Nova Zelândia, um país de apenas 4,5 milhões de habitantes, os All Blacks são muito mais do que uma equipe. E não sabem que o haka, que os conecta aos antepassados, é muito mais do que apenas uma dança tribal Maori . “Meu exército disse Oliver Cromwell sabia por que ele lutou.” Os All Blacks sabem por que eles jogam. O que realmente importa é a identidade da equipe diz Kerr, não tanto o que os All Blacks fazem, mas quem eles são, o que eles representam e por que eles existem.” Kerr cita um provérbio grego: “Uma sociedade cresce bem quando homens velhos plantam árvores que nunca irão ver crescidas.” Com esse provérbio em mente cada novo All Black recebe um livro que lembra de seus antepassados, heróis, valores de equipe e diretrizes. O resto das página está em branco. Para o recém-chegado preenche-las com seu próprio legado.

O blog é de Triathlon. Os temas não necessariamente. SACOU?

Fonte: www.lanacion.com.ar

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