Diário de um Homem de Ferro Cara de Pau #31 – Faltam 31 dias para Fortaleza

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Nossa! Essa semana está difícil.

Percebi que tenho um problema com semanas leves. Sério! É ler “Henricão, aproveite essa semana para descansar” que parece que eu desligo. Durmo melhor, é verdade, mas acordar vira o problema.

Ser leve é um do motivos dessa semana estar difícil. O outro é KONA!

Cara, eu sou louco por essa prova. Sem querer me gabar, mas já me gabando, já tive a honra de competir na Big Island em três ocasiões. 2008, 2009 e 2012. Assim, nessa época do ano, eu fico lembrando de cada uma das viagens que fiz para lá e refaço mentalmente todos os dias que antecedem a prova.

Acabado, mas posei para a foto do Mundotri - se não fosse o Busa (Bruno Miranda Lins) eu não tinha terminando em 2012- VALEU MLK

Prova de que fui: acabado, mas posei para a foto do Mundotri – se não fosse o Busa (Bruno Miranda Lins) eu não tinha terminando em 2012- VALEU MLK

Conseguir uma vaga para o mundial está mais difícil a cada dia que passa, então sei que tenho que me dedicar ainda mais se eu quiser algum dia voltar para o Hawaii.

Aos brasileiros que irão competir por lá depois de amanhã: DIVIRTAM-SE. Aproveitem o dia. Mesmo o evento tendo se tornado muito comercial, a mística da prova continua lá. Preservada. Tudo aquilo que a torna especial “o evento de endurance (de um dia) mais duro do mundo” está sempre lá: os Lava Fields, o vento, Hawi, a Ali’i Drive, o calor, a umidade e, claro, os melhores triatletas do mundo.

E VOCÊS ESTÃO ENTRE ELES!! Caramba! Vocês são meus ídolos! Ser atleta no Brasil é difícil, triatleta então! `Pelos menos três vezes mais hehehhe.

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Os Lonas: Dudu Gonzalez e Vinicius Canhedo

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Negona dando um couro em mim no Ironman Brasil 2009. Depois dessa foto eu desmaiei e ela foi sambar!

Em especial, quero mandar boas energias para meus amigos Eduardo Gonzalez, Flávinha Pedreira e Vinicius Canhedo! Sábado acompanharei vocês e torcerei muito! Me orgulho de ser amigo de vocês!

Voltando ao diário!

De manhã cedo foram apenas 90 minutos de giro. Foi legal porque deu para conversar com a galera. Mas não tem muito o que comentar sobre isso. Sai de casa, girei, tirei a foto do Instagram, conversei e voltei para casa hehehehe.

Já a natação foi mais interessante. Foram apenas 2750 metros. Mas teve educativo e uma série de braço que totalizou 900 metros. Cara, ainda bem que não preciso carregar nada no trabalho… Ser frango é fogo!!!

Você já deu seu palpite para o nosso bolão?

Conto com o apoio.

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HSS – HENRIQUE SIQUEIRA SPORTS

DIANA MARTINCOWSKY NUTRICIONIST

Isso é chegada!

Por Henrique Soares Ebert

 

Sempre que discutimos sobre as chegadas mais emocionantes do triathlon lembramos de Bevan Docherty,  Simon Withifield,  Leandro Macedo e Alexandre Manzan,  Javier Gomez e os Irmãos Brownlee, e assim por diante.

Mas o que pouca gente lembra, ou até mesmo sabe, é que a chegada mais próxima do triathlon nos foi presenteada por mulheres!

A suíça Nicola Spirig e a sueca Lisa Norden precisaram do photofinish para decidir quem venceu.

Assistam ao vídeo clicando no link para descobrir que foi.

Boa semana!

Closest Ever Triathlon Finish – Norden & Spirig |…: http://youtu.be/eej0jERw1JY

Meu Ironman 2014

fernando carvalho e leonardo mota

Por Henrique Soares Ebert

Desde 2009 não competia em Florianópolis. De lá para cá todos os meses de maio eram chatos para mim. Via meus amigos se preparando para ir para lá e as conversas deles eram mais chatas do que conversa de bêbado quando se está sóbrio. Por isso decidi que este ano iria voltar a competir na Ilha da Magia.

A energia da capital catarinense é muito bacana. A cidade é linda! O astral da cidade do Ironman (Jurerê na semana que antecede a prova) é muito alto. Me senti energizado para a prova de domingo.

Pena que minha prova não foi bem o que eu queria. Na verdade, não foi nada como eu planejei.

Desde quando cheguei até quando fui embora de Floripa senti frio. Muito frio. Os termômetros marcavam 15º, mas, para mim, pareciam -23º. Tentava me agasalhar. Eram várias peças de roupa. Mesmo assim, achava que não teria problema.

Mas tive…

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Yaba daba doo

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Por Henrique Ebert

Esse final de semana tem o Abu Dhabi International Triathlon (ABIT). Sinceramente, eu queria que ela fosse mais pro final do ano, lá para o dia 23 de novembro, assim ela coincidira com a etapa da F-1 por lá e eu mataria dois coelhões com uma caixa d´água só. Mas, Alá não quis dessa maneira e marcou para esse final de semana.

As disputas ocorrerão em duas distâncias, Short com 1,5km-100km-10km, quase um GP EXTREME, e Long, com o dobro das distâncias. Você pode conferir os principais nomes da Start List no site da 3zone.com.

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Tenho muita vontade de fazer esta prova, mas, como sou um pouco sem noção, tenho medo de me meter em uma fria cultural como Andrew Starykowicz (um dos sobrenomes mais impronunciáveis do triathlon).

Off Season

Andrew Starykowicz Biography - www.andrewstarykowicz.com

Para quem não o conhece, Adrew é uma locomotiva dos EUA. Ele tem o recorde de melhor pedal em Ironman e, ano passado, ele foi o primeiro na bike no Havaí. Além disso, ele faturou o circuito Rev3 em 2011.

Resumindo a história. Em 3 de março de 2012, Andy estava liderando o ciclismo do ABIT (long) quando uma voluntária foi entregar uma caramanhola para um outro competidor. Nesse momento ele a atropelou, o que causou algumas lesões na moça. Assim que apareceram os primeiro socorristas, ele voltou a pedalar, mas teve de abandonar na corrida, por conta dos ferimentos na queda. A voluntária, uma inglesa que mora em Abu Dhabi, teve traumatismo craniano e entrou em coma induzido por 6 semanas.

No dia seguinte da prova, a organização do evento procurou Andrew e o encaminhou para uma delegacia de policia, uma vez que existia um mandado contra ele. De acordo com o americano, foram 3 horas de interrogatório e uma noite na prisão. Seu passaporte foi retido, assim como sua bicicleta (acho que essa foi a pior parte) e teve de ficar em prisão domiciliar por 5 semanas, até que ele pagou um fiança (ele afirma ser uma propina) e teve seu passaporte devolvido e retornou para seu país. Quando ele chegou em casa, foi direto para o hospital e viu que suas lesões eram mais graves do que imaginava, ou seja, ainda ficou um bom tempo de molho. Li no blog do triatleta egípcio Omar Nour que as coisas poderiam ter sido um pouco mais suaves se não fosse a atitude do americano.

Mas, esses atletas profissionais são muito esquisitos. Seu corpo se recuperou muito bem do ocorrido. Em novembro desse mesmo ano, Starykowicz meteu 4:04:39, também conhecido por 44km/h de média!!!! Seu “coração”, porém, ainda guarda mágoas. Basta ver este post em seu blog.

Bem, fiz um rodeio gigante para falar sobre meu medo sobre me meter em uma enrascada cultural. Mas isso tem um motivo. Quando viajamos para competir, principalmente para o exterior, uma das coisas que temos de pesquisar, além da comida claro, são os costumes daquele povo. Um exemplo simples: aqui no Brasil muitos ciclistas furam o sinal durante o treino e nada acontece, mesmo com a polícia por perto. Caso isso aconteça nos EUA, por exemplo, o atleta será multado e, dependendo de sua atitude para com o policial, pode ir para na delegacia e passando a noite na prisão.

Sorria!

Paula Newby-Fraser e Fernanda Keller abriram e pavimentaram o caminho. Crissie Wellington aproveitou e voou nessa estrada.

Essa inglesa começou no triathlon em 2004, como amadora. Ela voltou a treinar e a competir em 2006. Ano que foi campeã mundial amadora da ITU em Lausanne, na Suíça.

Em agosto de 2007 ela havia assustado os europeus ao terminar o Alpe d’Huez Triathlon na nona colocação geral. Em outubro, foi a vez dela assustar o mundo ao ser campeã do Ironman World Championship. Ela meteu naquele ano 9:08:45 (correndo para baixo de 3 horas a maratona)!!! Impressionante! Ah!! Sempre com o sorriso no rosto!

Em 2008 ela continuou a assombrar a todos! Começou ganhando o Ironman Australia, fazendo a terceira melhor parcial da corrida. Foi campeã do Ironman Frankfurt (Campeonato Europeu de Ironman) marcando o segundo melhor tempo na distância entre as mulheres (apenas 32 mais lenta que o recorde 1994 de Newby-Fraser). Na França, novamente no Alpe d’Huez Triathlon, ela ficou somente atrás de apenas um homem!!!! Sendo que a diferença do primeiro colocado ( o brasileiro Marcus Ornellas) para ela foi de apenas 1 minuto e 23 segundos!!! Wellington ainda foi campeão de longas distâncias da ITU na Holanda e conquistou seu segundo título na Big Island. Essa prova do Havaí foi fantástica. Ela teve um pneu furado, perdeu uns 10 minutos no total e ainda deu um couro em todo mundo!

Em 2009, Crissie não aliviou. Foi para o Quelle Challenge Roth, conhecida por ser a prova de full distance (distância de Ironman) mais rápida do mundo. Lá, ela quebrou o recorde de melhor marca de uma melhor nessa distância marcado por Yvonne van Vlerken um ano antes, cravando 08:31:59!!!  Em outubro ela foi e venceu seu terceiro título em Kona, melhorando a marca de 1992 de Newby-Fraser.

2010 não foi o melhor dos anos para Wellington. Ela sofreu uma queda de bicicleta em janeiro e teve de operar seu punho. Mesmo assim ela foi para Roth e quebrou mais uma vez o recorde feminino, marcando incríveis 08:19:13! Já ela decidiu não largar em Kona por conta de problemas de saúde.

Em 2011, meteu 08:33:56 no Ironman África do Sul, ocupoando a oitava colocação geral e fazendo a melhor corrida do dia. Entre todos os participantes! Em Roth ela baixou sua marca novamente. Dessa vez, foi “apenas”um  minuto.  Em setembro daquele ano, a duas semanas da prova havaiana, uma queda quase a afastou do Kona, mas não foi o suficiente. A inglesa foi e venceu o campeonato mundial, o quarto título. Provavelmente seu mais difícil.

Em 2012, Crissie anunciou sua aposentadoria do triathlon profissional. Achei uma pena. A figura dela no nosso esporte é única. Não é qualquer um que em 36 eventos de que participou,termina apenas um fora do top 10, sendo 27 na primeira colocação!!

Sentimos falta do sorriso!

Queen-K

Ninguém disputou tantos Ironman seguidos em Kona quanto ela. Foram mais de 20 anos consecutivos competindo (e terminando) entre as melhores do mundo. São 5 vitórias do Ironman Brasil nas costas, além de 14 top  10, sendo seis medalhas de bronze no Campeonato Mundial de Ironman – Hawaii (1994,1995,1997,1998,1999,2000). Fora os títulos do Troféu Brasil de Triathlon.  Essa lista segue…

Adivinhou quem é? (a foto ali em cima é uma dica)

Isso! Fernanda Keller. Uma das triatletas mais respeitadas no mundo é essa brasileira, tanto pelo público quanto pelos rivais. No desfile das nações em Kona isso fica claro. Ela passa e todo mundo a aplaude.

Uma das coisas mais difíceis no esporte é se manter no alto nível, e ela conseguiu!  E sempre mantendo um look impecável, quase uma It Girl (minha mulher está me ajudando a escrever).

Mas não ela não é só aparência e performance, é empreendedora e está a frente do Insituto Fernanda Keller, que desenvolve, desde 1998, projetos sociais em Niterói, cidade natal dela.

Por essas e outras, Fernanda Keller recebeu o prêmio Forbes de Mulher mais Influente do Esporte.

Japa veloz!

Tinha uma época que uma japonesinha era uma das mulheres, junto com Carla Moreno, Sandra Soldan e Fernanda Keller, que mandavam no triathlon brasileiro. Seu nome é Mariana Ohata. Com certeza elas inspiraram (inspiram) muitas meninas brasileiras a começar a praticar esse nosso esporte!

De currículo extenso, nem adianta colocar as provas que venceu ou que fez pódio. Basta falar que tem três Olimpíadas seguidas!! Participar de um evento desses é o sonho de qualquer esportista. Eu, por exemplo, quero, ainda que como voluntário.

Era muito legal assisti-la competindo. Suas performances nos Fast-Triathlon promovidos pela Rede Grobo mostravam o tanto que ela era aguerrida. Os times formados por ela, Sandra Soldan, Carla Moreno e Cia, sempre mandavam bem. Ao vivo, tive o prazer de acompanhar algumas de suas conquistas aqui na Ilha Quadrada.

Ohata era conhecida por ter uma natação muito forte, bem como por ser uma das melhores corredoras do circuito (tipo ideal para provas de triathlon com vácuo). Lembro bem da primeira característica, às vezes pedia para largar com os homens, e não era raro ela sair na frente de muitos deles.

Atualmente ela vive no interior de São Paulo e, de vez em quando, ainda a vejo correndo em Brasília.

E corre fácil!!!